quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

Fim de ciclo


Este ano que passou o meu grande aprendizado pessoal e profissional foi encarar a ingratidão. Encarar como de fato ele é, com toda a sua feiura, sem sombras ou mascaras.

O ingrato não reconhece a ajuda recebida e vive em busca apenas dos seus interesses próprios. Mas nem sempre é uma escolha da pessoa agir assim e pode ser uma incapacidade de sentir empatia pelo próximo. Pode acontecer com qualquer um de nós, mas é importante reconhecer e reparar sempre que tal comportamento nos vier a luz da consciência.

Não foi e não é fácil ser vitima de ingratidão. Nesse processo, talvez eu tenha sido radical de mais ou madura de menos. Talvez eu tenha sido ingrata também. Sigo aprendendo.

Para o próximo ciclo, só quero que tudo de ruim, pesado e inútil se vá, que fique só o amor. Me refiro ao amor real, o que é afeto, mas também é limite. O que ensina o que devemos aceitar e o que não nos serve mais. O amor da autovalorização, do aprendizado e da gratidão. O amor que ensina e cura.


sábado, 26 de outubro de 2019

Leis sobre inclusão escolar

COMPÊNDIO DE NORMAS QUE REGULAMENTAM A INCLUSÃO EDUCACIONAL DOS EDUCANDOS COM TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM

Este documento possui caráter meramente informativo. Elaborado com a estrita finalidade de facilitar o acesso à informação. Neste sentido, ressaltamos que é imprescindível a leitura integral das normas a seguir mencionadas, para aplicação no caso concreto. 

CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 
Link inteiro teor: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm

Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: XXIV - diretrizes e bases da educação nacional (...) 

Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; III - Pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; IV - Gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; V - Valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas; VI - Gestão democrática do ensino público, na forma da lei; VII - Garantia de padrão de qualidade. VIII - Piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal. (...) 

Art. 209. O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as seguintes condições: I - Cumprimento das normas gerais da educação nacional1 II - Autorização e avaliação de qualidade pelo Poder Público. 1 Consideram-se Normas Gerais da Educação a Constituição Federal e Constituição Estadual.


ECA – ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE (LEI Nº 8.069/90) 
Link inteiro teor: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8069.htm

Art. 53. A criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho, assegurando-se lhes: I - Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - Direito de ser respeitado por seus educadores; III - Direito de contestar critérios avaliativos, podendo recorrer às instâncias escolares superiores; IV - Direito de organização e participação em entidades estudantis; V - Acesso à escola pública e gratuita próxima de sua residência. Parágrafo único. É direito dos pais ou responsáveis ter ciência do processo pedagógico, bem como participar da definição das propostas educacionais.

 Art. 54. É dever de o Estado assegurar à criança e ao adolescente: I - Ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria (...); V - Acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um.

LDBN – LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL (Lei 9394/96)
Link inteiro teor: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm (...)

Art. 2º. A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. 

Art. 3º. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber. (...) 

Art. 12º. Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de: (...) V- A escola deve prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento. 

Art. 13º. Os docentes incumbir-se-ão de: (...) III - Zelar pela aprendizagem dos alunos; IV - Estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento.

LBI – LEI BRASILEIRA DE INCLUSÃO (Lei nº 13.146/15) 
Link inteiro teor: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm

Art. 2°. Considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. § 1°. A avaliação da deficiência, quando necessária, será biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar e considerará: (...) II - Os fatores socioambientais, psicológicos e pessoais; III - A limitação no desempenho de atividades; IV - A restrição de participação. 

Art. 3°. Para fins de aplicação desta Lei, consideram-se: (...) IV - Barreiras: qualquer entrave, obstáculo, atitude ou comportamento que limite ou impeça a participação social da pessoa, bem como o gozo, a fruição e o exercício de seus direitos à acessibilidade, à liberdade de movimento e de expressão, à comunicação, ao acesso à informação, à compreensão, à circulação com segurança, entre outros, classificadas em: (...) (...) d) Barreiras nas comunicações e na informação: qualquer entrave, obstáculo, atitude ou comportamento que dificulte ou impossibilite a expressão ou o recebimento de mensagens e de informações por intermédio de sistemas de comunicação e de tecnologia da informação; e) Barreiras atitudinais: atitudes ou comportamentos que impeçam ou prejudiquem a participação social da pessoa com deficiência em igualdade de condições e oportunidades com as demais pessoas; V - Comunicação: forma de interação dos cidadãos que abrange, entre outras opções, as línguas, inclusive a Língua Brasileira de Sinais (Libras), a visualização de textos, o Braille, o sistema de sinalização ou de comunicação tátil, os caracteres ampliados, os dispositivos multimídia, assim como a linguagem simples, escrita e oral, os sistemas auditivos e os meios de voz digitalizados e os modos, meios e formatos aumentativos e alternativos de comunicação, incluindo as tecnologias da informação e das comunicações.VI - Adaptações razoáveis: adaptações, modificações e ajustes necessários e adequados que não acarretem ônus desproporcional e indevido, quando requeridos em cada caso, a fim de assegurar que a pessoa com deficiência possa gozar ou exercer, em igualdade de condições e oportunidades com as demais pessoas, todos os direitos e liberdades fundamentais. 

Art. 4º. Toda pessoa com deficiência tem direito à igualdade de oportunidades com as demais pessoas e não sofrerá nenhuma espécie de discriminação. §1º. Considera-se discriminação em razão da deficiência toda forma de discriminação, restrição ou exclusão, por ação ou omissão, que tenha o propósito ou o efeito de prejudicar, impedir ou anular o reconhecimento ou o exercício dos direitos e liberdades fundamentais de pessoa com deficiência, incluindo a recusa a adaptações razoáveis e de fornecimento de tecnologias assistivas. (...) 

Art. 8º. Constitui crime punível com reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos e multa: I - Recusar, cobrar valores adicionais, suspender, procrastinar, cancelar ou fazer cessar inscrição de aluno em estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, público ou privado, em razão de sua deficiência. (NR conferida ao art. 8º da Lei nº 7.853/89 pelo artigo 98 da LBI) (...) 

Art. 27º. A educação constitui direito da pessoa com deficiência, assegurado sistema educacional inclusivo em todos os níveis e aprendizado ao longo de toda a vida, de forma a alcançar o máximo desenvolvimento possível de seus talentos e habilidades físicas, sensoriais, intelectuais e sociais, segundo suas características, interesses e necessidades de aprendizagem. Parágrafo único. É dever do Estado, da família, da comunidade escolar e da sociedade assegurar educação de qualidade à pessoa com deficiência, colocando-a a salvo de toda forma de violência, negligência e discriminação. 

Art. 28º. Incumbe ao poder público assegurar, criar, desenvolver, implementar, incentivar, acompanhar e avaliar: I - Sistema educacional inclusivo em todos os níveis e modalidades, bem como o aprendizado ao longo de toda a vida; II - Aprimoramento dos sistemas educacionais, visando a garantir condições de acesso, permanência, participação e aprendizagem, por meio da oferta de serviços e de recursos de acessibilidade que eliminem as barreiras e promovam a inclusão plena. III - Projeto pedagógico que institucionalize o atendimento educacional especializado, assim como os demais serviços e adaptações razoáveis, para atender às características dos estudantes com deficiência e garantir o seu pleno acesso ao currículo em condições de igualdade, promovendo a conquista e o exercício de sua autonomia; V - Adoção de medidas individualizadas e coletivas em ambientes que maximizem o desenvolvimento acadêmico e social dos estudantes com deficiência, favorecendo o acesso, a permanência, a participação e a aprendizagem em instituições de ensino; VI - Pesquisas voltadas para o desenvolvimento de novos métodos e técnicas pedagógicas, de materiais didáticos, de equipamentos e de recursos de tecnologia assistiva; VII - Planejamento de estudo de caso, de elaboração de plano de atendimento educacional especializado, de organização de recursos e serviços de acessibilidade e de disponibilização e usabilidade pedagógica de recursos de tecnologia assistiva; (...) IX - Adoção de medidas de apoio que favoreçam o desenvolvimento dos aspectos linguísticos, culturais, vocacionais e profissionais, levando-se em conta o talento, a criatividade, as habilidades e os interesses do estudante com deficiência; (...) XI - Formação e disponibilização de professores para o atendimento educacional especializado, de tradutores e intérpretes da Libras, de guias intérpretes e de profissionais de apoio; XIII - Acesso à educação superior e à educação profissional e tecnológica em igualdade de oportunidades e condições com as demais pessoas; (...) XVI - Acessibilidade para todos os estudantes, trabalhadores da educação e demais integrantes da comunidade escolar às edificações, aos ambientes e às atividades concernentes a todas as modalidades, etapas e níveis de ensino; XVII - Oferta de profissionais de apoio escolar; § 1º. Às instituições privadas, de qualquer nível e modalidade de ensino, aplica-se obrigatoriamente o disposto nos incisos I, II, III, V, VII, VIII, IX, X, XI, XII, XIII, XIV, XV, XVI, XVII e XVIII do caput deste artigo, sendo vedada a cobrança de valores adicionais de qualquer natureza em suas mensalidades, anuidades e matrículas no cumprimento dessas determinações. 

PCN - PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS / MEC / SEF / SEESP 
Adaptações Curriculares - Estratégias para a educação de alunos com necessidades educacionais especiais (ou NEE

Este importante documento, amplia o conceito “Educação Especial", pois estabelece as diretrizes da educação nacional numa perspectiva mais aberta e inclusiva. Como se trata de um documento extenso, abaixo destacamos alguns trechos que merecem especial atenção: “A expressão necessidades educacionais especiais (g.n) pode ser utilizada para referir-se a crianças e jovens cujas necessidades decorrem de sua elevada capacidade ou de suas dificuldades para aprender. Está associada, portanto, a dificuldades de aprendizagem, não necessariamente vinculada a deficiência (s)”. “O termo NEE ou Necessidades Educacionais Especiais surgiu para evitar os efeitos negativos de expressões utilizadas no contexto educacional (deficientes, excepcionais, subnormais, superdotados, infradotados, incapacitados etc.) para referir-se aos alunos com altas habilidades / superdotação, aos portadores de deficiências cognitivas, físicas, psíquicas e sensoriais. Tem o propósito de deslocar o foco do aluno e direcioná-lo para as respostas educacionais que eles requerem, evitando enfatizar os seus atributos ou condições pessoais que podem interferir na sua aprendizagem e escolarização. É uma forma de reconhecer que muitos alunos, sejam ou não portadores de deficiências ou de superdotação, apresentam necessidades educacionais que passam a ser especiais quando exigem respostas específicas/adequadas. ” Em relação à (s) definição (ões) das expressões alunos com Necessidades Educacionais Especiais ou com Necessidades Especiais, o PCN destaca que: “... a atual Política Nacional de Educação Especial aponta para uma definição de prioridades no que se refere ao atendimento especializado a ser oferecido na escola para quem dele necessitar. Nessa perspectiva, define como aluno portador de necessidades especiais aquele que por apresentar necessidades próprias e diferentes dos demais alunos no domínio das aprendizagens curriculares correspondentes à sua idade, requer recursos pedagógicos e metodologias educacionais específicas.(g.n.) Identificar as necessidades educacionais de um aluno como sendo especiais implica considerar que essas dificuldades são maiores que as do restante de seus colegas, depois de todos os esforços empreendidos no sentido de superá-las por meio dos recursos e procedimentos usuais adotados na escola. A concepção de especial está vinculada ao critério de diferença significativa do que se oferece normalmente para a maioria dos alunos da turma no cotidiano da escola. Não se pode negar os condicionantes orgânicos, socioculturais e psíquicos que estão associados a vários tipos de deficiências ou a influência que esses fatores podem exercer no sucesso ou insucesso escolar do educando, mas não se pode advogar sua hegemonia como determinantes na causalidade do fracasso escolar, ou como modo de justificar uma ação escolar pouco eficaz. ” 

RESOLUÇÃO CNE/CEB Nº 02/2001 (CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO

O Conselho Nacional de Educação, por meio da Resolução CNE/CEB nº 02/2001 estabeleceu que são considerados alunos com Necessidades Educacionais Especiais todos aqueles que apresentem dificuldades acentuadas de aprendizagem ou limitações no processo de desenvolvimento, que dificultem o acompanhamento das atividades curriculares. (...) 

Art.3º. Por educação especial, modalidade da educação escolar, entende-se um processo educacional definido como uma proposta pedagógica que assegure recursos e serviços educacionais especiais, organizado institucionalmente para apoiar, complementar, suplementar e, em alguns casos, substituir os serviços educacionais comuns, de modo a garantir a educação escolar e promover o desenvolvimento das potencialidades dos educandos que apresentam necessidades educacionais especiais, em todas as etapas e modalidades da educação básica; (...) 

Art. 5º. Consideram-se educandos com necessidades educacionais especiais os que, durante o processo educacional, apresentarem: I - dificuldades acentuadas de aprendizagem ou limitações no processo de desenvolvimento que dificultem o acompanhamento das atividades curriculares, compreendidas em dois grupos: a) aquelas não vinculadas a uma causa orgânica específica; b) aquelas relacionadas a condições, disfunções, limitações ou deficiências (...) 

Art. 8º. As escolas da rede regular de ensino devem prever e prover na organização de suas classes comuns: (...) III – Flexibilizações e adaptações curriculares que considerem o significado prático e instrumental dos conteúdos básicos, metodologias de ensino e recursos didáticos diferenciados e processos de avaliação adequados ao desenvolvimento dos alunos que apresentam necessidades educacionais especiais, em consonância com o projeto pedagógico da escola, respeitada a frequência obrigatória.IV – Serviços de apoio pedagógico especializado, realizado, nas classes comuns, mediante: a) Atuação colaborativa de professor especializado em educação especial; (...) d) Disponibilização de outros apoios necessários à aprendizagem, à locomoção e à comunicação. 

PARECER CNE/CEB - Nº 17/2001 (CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO) 

Estabelece normas para o sistema de ensino e educação, apontando para uma política de inclusão educacional que reconhece as diferenças e, propicia condições de aprendizagem e de desenvolvimento pessoal e social do educando. (...) “A educação tem hoje, portanto, um grande desafio: garantir acesso aos conteúdos básicos que a escolarização deve proporcionar a todos os indivíduos - inclusive àqueles com necessidades educacionais especiais, particularmente alunos que apresentam altas habilidades, precocidade, superdotação, condutas típicas de síndromes/quadros psicológicos, neurológicos ou psiquiátricos; portadores de deficiências, ou seja, alunos que apresentam significativas diferenças físicas, sensoriais, ou intelectuais, decorrentes de fatores genéticos, inatos ou ambientais, de caráter temporário ou permanente e que, em interação dinâmica com fatores socioambientais, resultam em necessidades muito diferenciadas da maioria das pessoas.” A política de inclusão de alunos que apresentam necessidades educacionais especiais na rede regular de ensino não consiste apenas na permanência física desses alunos junto aos demais educandos, mas representa a ousadia de rever concepções e paradigmas, bem como desenvolver o potencial dessas pessoas, respeitando suas diferenças e atendendo suas necessidades. ” “Todos os alunos, em determinado momento de sua vida escolar, podem apresentar necessidades educacionais, e seus professores, em geral, conhecem diferentes estratégias para dar respostas a elas. No entanto, existem necessidades educacionais que requerem da escola uma série de recursos e apoios de caráter mais especializado, que proporcionem ao aluno meios para acesso ao currículo. Essas são as chamadas necessidades educacionais especiais (g.n.) ” “Percorrendo os períodos da história universal, desde os mais remotos tempos, evidenciam-se teorias e práticas sociais segregadoras, inclusive quanto ao acesso ao saber. Poucos podiam participar dos espaços sociais nos quais se transmitiam e se criavam conhecimentos. A pedagogia da exclusão tem origens remotas, condizentes com o modo como estão sendo construídas as condições de existência da humanidade em determinado momento histórico.” “Os indivíduos com deficiências, vistos como doentes e incapazes, sempre estiveram em situação de maior desvantagem, ocupando, no imaginário coletivo, a posição de alvos da caridade popular e da assistência social, e não de sujeitos de direitos sociais, entre os quais se inclui o direito à educação. ” O referido parecer, também aponta os grupos que demandam de atendimento específico para efetiva inclusão educacional, são eles: 

1. Indivíduos com deficiências, principalmente os portadores de deficiências múltiplas e graves, que na escolarização apresentam dificuldades acentuadas de aprendizagem; 

2. Superdotados, portadores de altas habilidades, “brilhantes” e talentosos que, devido a necessidades e motivações específicas – incluindo a não aceitação da rigidez curricular e de aspectos do cotidiano escolar – são tidos por muitos como trabalhosos e indisciplinados, deixando de receber os serviços especiais de que necessitam; 

3. Alunos que apresentam dificuldades de adaptação escolar por manifestações condutais peculiares de síndromes e de quadros psicológicos, neurológicos ou psiquiátricos que ocasionam atrasos no desenvolvimento, dificuldades acentuadas de aprendizagem e prejuízo no relacionamento social.(g.n) “Necessidades educacionais especiais trata-se de um conceito amplo: em vez de focalizar a deficiência da pessoa, enfatiza o ensino e a escola, bem como as formas e condições de aprendizagem; em vez de procurar, no aluno, a origem de um problema, define-se pelo tipo de resposta educativa e de recursos e apoios que a escola deve proporcionar-lhe para que obtenha sucesso escolar; por fim, em vez de pressupor que o aluno deva ajustar-se a padrões de “normalidade” para aprender, aponta para a escola o desafio de ajustar-se para atender à diversidade de seus alunos. Um projeto pedagógico que inclua os educandos com necessidades educacionais especiais deverá seguir as mesmas diretrizes já traçadas pelo Conselho Nacional de Educação para a educação infantil, o ensino fundamental, o ensino médio, a educação profissional de nível técnico, a educação de jovens e adultos e a educação escolar indígena. Entretanto, esse projeto deverá atender ao princípio da flexibilização, para que o acesso ao currículo seja adequado às condições dos discentes, respeitando seu caminhar próprio e favorecendo seu progresso escolar. No decorrer do processo educativo, deverá ser realizada uma avaliação pedagógica dos alunos que apresentem necessidades educacionais especiais, objetivando identificar barreiras que estejam impedindo ou dificultando o processo educativo em suas múltiplas dimensões. Essa avaliação deverá levar em consideração todas as variáveis: as que incidem na aprendizagem: as de cunho individual; as que incidem no ensino, como as condições da escola e da prática docente; as que inspiram diretrizes gerais da educação, bem como as relações que se estabelecem entre todas elas. Sob esse enfoque, ao contrário do modelo clínico, tradicional e classificatório, a ênfase deverá recair no desenvolvimento e na aprendizagem do aluno, bem como na melhoria da instituição escolar, onde a avaliação é entendida como processo permanente de análise das variáveis que interferem no processo de ensino e aprendizagem, para identificar potencialidades e necessidades educacionais dos alunos e as condições da escola para responder a essas necessidades. Para sua realização, deverá ser formada, no âmbito da própria escola, uma equipe de avaliação que conte com a participação de todos os profissionais que acompanhem o aluno.” 

*Observação acerca do uso e da exploração deste material: É permitida a reprodução total ou parcial do presente conteúdo somente para uso particular, bem como para fins didáticos, desde que citada a fonte, sendo vedada o uso/exploração deste material, para fins comerciais sem expressa autorização. (Lei Nº 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998)

Comportamento Infantil


Estratégias sobre comportamento infantil - Dicas aos pais

- Conectar e direcionar: Mostre que compreende a criança. Estabeleça limite. Direcione-o.

- Nomear sentimentos: Reconheça e nomeie os sentimentos dele. Conte uma história sobre o que o está incomodando. Ajude a prestar atenção aos pensamentos, sentimentos, imagens e sensações dentro dele.

- Envolver: Diga NÃO somente quando necessário. Faça perguntas, ajude-o a refletir e encontrar soluções.

- Estimular escolhas: Incentive-o a decidir tudo o que for possível, dentro do contexto. Leia histórias para seu filho e faça perguntas sobre as escolhas que os personagens tomaram ou poderiam tomar. Assim como, leia uma história, pare antes de terminar e peça para ele contar como poderia ser o final.

- Mover o corpo: Estimule-o a mexer o corpo. Brinque com ele ou incentive a prática de esporte.

- Exercitar a memória: Ajude-o a recordar os acontecimentos do dia. Brinquem de jogo da memória ou outros que possuam a mesma finalidade.

- Sentimentos: Diferencie o ESTOU e o SOU. Reconheça a emoção atual, ofereça consolo e o ajude a compreender que são estados temporários.

- Higiene mental: Ensine-o a se acalmar. Exercícios de respiração ou medicação.

- Momentos de atenção positiva: Brincar, praticar esportes, jogar jogos, etc.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Os quatro compromissos

DON MIGUEL RUIZ – OS QUATRO COMPROMISSOS
O livro da Filosofia Tolteca escrito por Don Miguel Ruiz, nos ensina a ter mais paz e equilíbrio na vida, no âmbito emocional e mental

1 – SEJA IMPECÁVEL COM SUA PALAVRA

É o compromisso mais importante. É através da palavra que expressamos nosso poder criativo, quer seja através da fala ou do pensamento. É o mais poderoso instrumento que possuímos, e tanto pode ser usado para nos libertar como para nos escravizar.
O primeiro passo é ter consciência do poder da palavra. E aí então, torná-la impecável. Impecável significa “sem pecado”. Bom, mas o que é pecado? Pecado é quando vamos contra a nossa natureza mais íntima, a nossa essência. Ou seja, sempre que nos julgamos, estamos pecando. Sempre que nos julgamos, nos criticamos, nos culpamos, nos condenamos, estamos pecando. E isso cria uma série de conflitos em nossa vida. E assim sem percebermos vamos nos escravizando a esses conflitos.
Se passarmos a sermos impecáveis com nossa palavra iremos, pouco a pouco, re-criar nossa vida na direção do bem, do amor, da harmonia. E nos libertar do conflito.
Esse é um compromisso difícil de assumir, pois vai contra muito do que nos ensinaram. Por isso que é fundamental, antes de tudo, acreditar no poder da palavra, pois foi esse mesmo poder, usado erradamente, que criou tanto conflito em nossa vida.
O próximo passo é assumir consigo mesmo o compromisso de sermos impecáveis com nossa palavra. Devemos observar a nós mesmos, o que dizemos, o que pensamos, e ir modificando nossa palavra. Observar a forma como falamos com nós mesmos (nosso diálogo interior) e evitar qualquer pensamento de crítica, julgamento, culpa, substituindo – os por pensamentos de apoio, afeto, confiança, aceitação. Aos poucos vamos realizando também esse processo na forma como lidamos com os outros, como falamos com eles, como pensamos sobre eles.
Ser impecável com nossa palavra é usar nossa palavra para cultivar a semente do amor que existe em nós. É só em terreno fértil que esse amor pode crescer e frutificar. lembre-se: A fala é poderosa, com ela construimos ou destruimos

2 – NÃO LEVE NADA PARA O LADO PESSOAL

Se você leva as coisas pro lado pessoal é porque, em algum nível, você concorda com o que está sendo dito. Nós costumamos levar as coisas pro lado pessoal devido a uma coisa chamada “importância pessoal”. Achamos que tudo o que acontece a nossa volta tem a ver conosco. Será que tem mesmo? O que os outros fazem, dizem ou pensam tem a ver com a forma como os outros vêem o mundo, e não tem nada a ver com você. Já parou pra pensar nisso?
Os outros vêem o mundo baseado nos compromissos que assumiram consigo mesmos (suas crenças) e isso não tem nada a ver com você. Quando você se sente ofendido ou magoado por outra pessoa sua reação é defender seus compromissos (suas crenças) como algo certo, estabelecido, como uma “verdade”, quando são apenas suas crenças. Saiba que os outros não tem nada a ver com suas crenças.
Daí tantos conflitos e tanto caos criado em nossas vidas. Eu levo tudo pro lado pessoal, e os outros também. Eu defendo meus pontos de vista e os outros defendem os pontos de vista deles. Não deveríamos levar nada para o lado pessoal, nem as críticas e nem os elogios.
Não levar nada para o lado pessoal é viver em estado de tal amor que todo o mundo ao nosso redor é visto por esse prisma, sob o ponto de vista do AMOR. Se vejo tudo com olhos amorosos, me liberto das críticas e até dos elogios. O contrário do amor é o medo, e quanto mais medo tivermos em nós, mais levaremos as coisas para o lado pessoal, criando caos e conflito.
Escolha: quero ver o mundo com olhos medrosos? Ou quero ver o mundo com olhos amorosos? Assuma o compromisso de não levar nada para o lado pessoal, vendo tudo com olhos amorosos. Não faça do lixo alheio o seu próprio lixo.

3 – NÃO TIRE CONCLUSÕES

Temos tendência a tirar conclusões, suposições sobre tudo, a presumir verdades. É por isso que levamos tudo pro lado pessoal, porque acreditamos em nossas conclusões, em nossas “verdades”, e como criamos conflito por isso…
Buscamos conclusões porque buscamos nos sentir seguros. Tiramos conclusões até de nós mesmos. De onde você acha que vem nosso autojulgamento? De nossas conclusões sobre nós mesmos! Não tirar conclusões significa viver a vida como ela é, dinâmica, viva, aberta, eternamente em movimento. Pare de presumir verdades e simplesmente viva!
Claro que você pode saber mais sobre uma pessoa ou uma situação. Nesse caso, faça perguntas, quantas achar necessário, mas nunca ache que você detém toda a verdade. Tal coisa é impossível..

4 – DÊ SEMPRE O MELHOR DE SI

Esse compromisso se refere a ação dos três compromissos anteriores. Sempre dê o seu melhor, mas lembre que esse melhor nunca será o mesmo, pois tudo sempre está mudando. Lembra quando disse que a vida é dinâmica, aberta, sempre em movimento? Pois é! Por isso, não busque aquele melhor idealizado que só existe nos filmes e que nos ensinaram (esse melhor idealizado só serve pra nos criticarmos, pois nunca conseguimos atingi-lo).
Dar o melhor de si significa não se esforçar exageradamente nem fazer corpo mole. Dê o seu melhor de cada momento, nem mais, nem menos. Quando você faz o seu melhor pode ter prazer na ação, ao invés de fazer as coisas apenas esperando resultados, apenas esperando a recompensa.
Dar o seu melhor é ser feliz desde agora!
Assim, você irá atingir um ponto em que tudo o que você faz é sempre o seu melhor. Sempre que não conseguir manter um dos compromissos anteriores, não há problema, não se julgue, não se culpe. Você deu o seu melhor, siga em frente!
 Catia Simionato. 

Samambaia

A samambaia não produz sementes ou flores, se reproduz através de esporos. Nas lendas, encontramos referencias sobre a busca da flor de samambaia. Na mitologia eslava, por exemplo, acredita-se que quem encontrar a flor de samambaia, conquistará o amor. 

Recentemente ouvi o termo "homem samambaia", ou seja, o sujeito que nada produz, que não tem iniciativa, que não sobrevive ao sol ou vento forte, que evita desafios...e pior, promete flores que não existem.

Pessoas assim, procuram viver de forma linear, não gostam dos altos e baixos e não suportam os solavancos da vida. Parecem pacatas, mas não são. Possuem receio de sair da zona de conforto e procuram caminhos mais fáceis... mesmo que isso tire delas a oportunidade de crescimento. 

Acredito que as pessoas não se transformam em samambaias depois de adultas. Foram crianças que não tiveram o estimulo necessário para lidar com a frustração. Qualquer desafio era motivo para desistir e assim repetem e repetem o modelo aprendido, machucando a si mesmos e a quem estiver ao redor. 

Se relacionar com elas é uma opção. Esperar mudanças é alimentar uma expectativa irreal.  
Quer se relacionar com samambaias? Não espere flores. Quer ser uma samambaia? Não prometa flores. Simples assim. 

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Superação


O desejo de toda pessoa imatura é ter uma vida fácil, sem dificuldades e com muito prazer. Os fatos reais não atendem as suas expectativas e geram frustrações. Frustrações essas que são difíceis de superar por estarem repletas de ilusões.

Se tornam especialistas em transformar oportunidades em desilusões.

Toda vez que surge uma contrariedade, ficam irritadas, ansiosas, cansadas, estressadas, nervosas...algumas chegam a ter crises de ansiedade e/ou pânico. Aumenta o sofrimento e ampliam o problema.

Por exemplo: João fica irritado porque o farol de trânsito ficou vermelho a caminho do trabalho. Ele reclama, bate no volante, fala todos os palavrões que conhece, o mau humor o domina e estende-se até o final do dia. João conhece a importância do farol, mas ele vive a perda, a raiva e a tensão pelo sinal ficar vermelho. Facilmente transformou o que é bom e necessário em algo negativo. Não percebeu que se aquele farol não estivesse ali, ele demoraria pelo menos 10 minutos para conseguir atravessar o mesmo cruzamento. João, assim como toda pessoa imatura, deseja a ilusão, vê negatividade com muita facilidade e não agradece a realidade.

A gratidão nos ensina a ser maduros. Aprendemos a agradecer até mesmo as situações frustrantes, porque elas nos obrigam a experimentar o que não viveríamos por nossa vontade.

O que aprendemos ontem se torna uma facilidade hoje. O foco no desenvolvimento humano deve ser constante. Desenvolvendo maiores recursos emocionais, maiores serão as facilidades para enfrentar os momentos difíceis.

Não há como evoluir sem enfrentar os obstáculos e desafios da vida. Devemos superar limites e desenvolver novas habilidades. Essa é uma tarefa individual e intransferível. Apenas por ela encontramos a verdadeira superação e uma vida mais leve.

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Avaliação Neuropsicopedagógica


Avaliação Neuropsicopedagógica

O que é avaliação neuropsicopedagógica?
Essa avaliação consiste na investigação de dificuldades ou transtornos de aprendizagem. Através de testes e conhecimentos neurocientíficos, busca entender a forma como o cérebro recebe, seleciona, transforma, memoriza, arquiva, processa e elabora todas as informações recebidas.

O processo onde serão aplicados testes de raciocínio operatório, testes pedagógicos, testes perceptomotores, avaliação de capacidade de memória, avaliação de capacidade de atenção, avaliação de capacidade de concentração, testes de interpretação de texto, avaliação de funções executivas, avaliação de capacidade de planejamento, dentre outros.

Aceita convênio médico?
Não, pois os convênios médicos não realizam a cobertura do serviço de atendimento neuropsicopedagógico ou psicopedagógico.  




Ansiedade matemática


A ansiedade matemática é uma fobia específica, que aparece como sentimento de tensão e preocupação frente a situações que envolvem a matemática. Não possui origem genética e não está associada ao desenvolvimento cognitivo. Pode ser resultado de uma série de eventos, como o medo de fracassar, por exemplo.

Os processos cognitivos e emocionais estão profundamente entrelaçados no funcionamento do cérebro e, portanto, a ansiedade matemática influencia diretamente no processo de aprendizagem.

É indicado técnicas adequadas de programas de ensino individualizado e técnicas de autocontrole para reduzir a ansiedade. O professor deve transmitir significados, esclarecer os conceitos e incentivar rodas de conversas sobre os conceitos matemáticos, trabalhos em grupos pequenos, não pressionar para resposta rápida e não estimular a competição entre os alunos.

Bovarismo



O termo se baseia no famoso personagem “Madame Bovary” e pode ser empregado ao sujeito que nega a realidade, é indiferente ao que acontece ao seu redor e tem objetivos impossíveis de alcançar.

Com expectativas irreais o sujeito enxerga o mundo como deveria ser e não como é na realidade, surgindo uma desconexão entre o desejo e o fato. Colocando metas impossíveis de alcançar e gerando uma insatisfação crônica.

Esse sujeito passa a ver apenas o que quer e interpreta conforme o que se adapte a sua visão. Excluindo da realidade fatos que não se ajustem.

Usam a negação como estratégia de enfrentamento, culpando os outros e negando a sua própria responsabilidade. Possuem imagens irrealistas do eu, exagerando o conflito vivido, ficando na fronteira com a paranoia.

Para melhorar esse aspecto o sujeito deve buscar ajuda e aceitar que tem dificuldade em aceitar a realidade para então criar objetivos possíveis.

domingo, 26 de maio de 2019

Método de estudo


Como estudar?

A rotina de estudo é muito importante. Deve-se estudar todos os dias pelo mínimo 1 hora e no máximo 3 horas (com intervalos) e na véspera da avaliação, rever o conteúdo registrado desse estudo.

Dormir bem e ter uma alimentação saudável é imprescindível para realizar um bom estudo!!!

Técnicas de estudo

  • ·         Tenha um objetivo: responda “Porque me dedicar aos estudos?”, “O que isso impacta na minha vida?”. Escreva o objetivo e deixe em um local sempre a vista.
  •  ·         Fazer um cronograma de estudos: criar um plano de estudos com matérias e horários que irá estudar. Intercalar matérias com conteúdo diferentes. Iniciar com as matérias que possui mais dificuldade. (segue modelo).
  •  ·         Anotar todos os compromissos na agenda física ou digital: anotar datas de entrega de trabalhos, lições de casa, datas de provas, etc.
  •  ·         Tenha um local especifico para estudar: manter esse local organizado e limpo. Deixe apenas o material que irá usar naquele momento, manter a menor quantidade de objetos possíveis.
  • ·         Evitar distrações: evitar usar o celular ou computador enquanto estuda, pois, as mensagens que surgem despertam a curiosidade e ajudam a perder o foco.
  •  ·         Fazer anotações: assim terá as informações para quando precisar (véspera de prova por exemplo). Resumos, mapas mentais, flashcards, etc. O importante é manter as anotações organizadas em caderno especifico para estudos, pasta ou caixa organizadora.
  •  ·         Assista vídeo aulas on line: procurar canais com bom conteúdo e após assistir, realizar exercícios sobre o assunto.
  •  ·         Faça pausas: intervalos são importantes, pausa a cada 15 minutos após 1 hora de estudo por exemplo. Mas cuidado, intervalos em excesso podem causar perca de foco.
  •  ·         Faça uma autoavaliação: pode criar uma “provinha” com perguntas para responder depois de estudar, realizar uma autoexplicação ou pedir para outra pessoa fazer perguntas de forma oral. O importante é verificar se o conteúdo foi de fato entendido.
  •  ·         Crie um sistema de recompensa: é importante criar pequenas, mas significativas recompensas para metas atingidas. Por exemplo: se realizar todo o cronograma durante segunda a sexta, terá o final de semana livre.
  •  ·         Fixar as informações: utilize post-it, lousa, cartaz, com formulas ou informações que devem ser decoradas e deixe sempre visível.





Principais métodos de estudo

Resumo:
  1. Realizar uma primeira leitura para entender do que se trata o assunto.
  2. Realizar uma segunda leitura, grifando as palavras importantes
  3. Não realizar cópia. Anotar o que compreendeu, por tópico, utilizando as próprias palavras.

  
Mapa mental:

  1.           Estabelecer a ideia central: colocar o assunto a ser estudado no centro da folha
  2.       Defina as palavras-chaves e sucintas explicações sobre o assunto e os coloque em ramificações, em volta da ideia central
  3.         Use cores: As cores ajudam a ativar a memória.


Flashcards:

  1.          Fazer cartões com perguntas de um lado e a resposta dessa pergunta no verso
  2.         Organiza-los em uma pasta ou caixa e reler os cartões diariamente.


Método Cornell:

  1.        Dividir a página em três seções: anotações, tópicos e sumário.
  2.        Anotações: é a maior parte das divisões, serve para colocas as informações, objetivos, respostas, frases resumidas, etc
  3.      Tópicos: é a parte esquerda da página, onde irá colocar temas, perguntas, palavras-chaves, etc
  4.       Sumário: é a parte inferior da pagina, onde deve anotar um breve resumo sobre o que se encontra na pagina ou pode colocar nome de artigos e livros sobre o tema.





terça-feira, 2 de abril de 2019

Perdoando Deus



Eu ia andando pela Avenida Copacabana e olhava distraída edifícios, nesga de mar, pessoas, sem pensar em nada. Ainda não percebera que na verdade não estava distraída, estava era de uma atenção sem esforço, estava sendo uma coisa muito rara: livre. Via tudo, e à toa. Pouco a pouco é que fui percebendo que estava percebendo as coisas. Minha liberdade então se intensificou um pouco mais, sem deixar de ser liberdade. Não era tour de propriétaire, nada daquilo era meu, nem eu queria. Mas parece-me que me sentia satisfeita com o que via.
Tive então um sentimento de que nunca ouvi falar. Por puro carinho, eu me senti a mãe de Deus, que era a Terra, o mundo. Por puro carinho, mesmo, sem nenhuma prepotência ou glória, sem o menor senso de superioridade ou igualdade, eu era por carinho a mãe do que existe. Soube também que se tudo isso “fosse mesmo” o que eu sentia – e não possivelmente um equívoco de sentimento – que Deus sem nenhum orgulho e nenhuma pequenez se deixaria acarinhar, e sem nenhum compromisso comigo. Ser-Lhe-ia aceitável a intimidade com que eu fazia carinho. O sentimento era novo para mim, mas muito certo, e não ocorrera antes apenas porque não tinha podido ser. Sei que se ama ao que é Deus. Com amor grave, amor solene, respeito, medo, e reverência. Mas nunca tinham me falado de carinho maternal por Ele. E assim como meu carinho por um filho não o reduz, até o alarga, assim ser mãe do mundo era o meu amor apenas livre.
E foi quando quase pisei num enorme rato morto. Em menos de um segundo estava eu eriçada pelo terror de viver, em menos de um segundo estilhaçava-me toda em pânico, e controlava como podia o meu mais profundo grito. Quase correndo de medo, cega entre as pessoas, terminei no outro quarteirão encostada a um poste, cerrando violentamente os olhos, que não queriam mais ver. Mas a imagem colava-se às pálpebras: um grande rato ruivo, de cauda enorme, com os pés esmagados, e morto, quieto, ruivo. O meu medo desmesurado de ratos.
Toda trêmula, consegui continuar a viver. Toda perplexa continuei a andar, com a boca infantilizada pela surpresa. Tentei cortar a conexão entre os dois fatos: o que eu sentira minutos antes e o rato. Mas era inútil. Pelo menos a contigüidade ligava-os. Os dois fatos tinham ilogicamente um nexo. Espantava-me que um rato tivesse sido o meu contraponto. E a revolta de súbito me tomou: então não podia eu me entregar desprevenida ao amor? De que estava Deus querendo me lembrar? Não sou pessoa que precise ser lembrada de que dentro de tudo há o sangue. Não só não esqueço o sangue de dentro como eu o admito e o quero, sou demais o sangue para esquecer o sangue, e para mim a palavra espiritual não tem sentido, e nem a palavra terrena tem sentido. Não era preciso ter jogado na minha cara tão nua um rato. Não naquele instante. Bem poderia ter sido levado em conta o pavor que desde pequena me alucina e persegue, os ratos já riram de mim, no passado do mundo os ratos já me devoraram com pressa e raiva. Então era assim?, eu andando pelo mundo sem pedir nada, sem precisar de nada, amando de puro amor inocente, e Deus a me mostrar o seu rato? A grosseria de Deus me feria e insultava-me. Deus era bruto. Andando com o coração fechado, minha decepção era tão inconsolável como só em criança fui decepcionada. Continuei andando, procurava esquecer. Mas só me ocorria a vingança. Mas que vingança poderia eu contra um Deus Todo-Poderoso, contra um Deus que até com um rato esmagado podia me esmagar? Minha vulnerabilidade de criatura só. Na minha vontade de vingança nem ao menos eu podia encará-Lo, pois eu não sabia onde é que Ele mais estava, qual seria a coisa onde Ele mais estava e que eu, olhando com raiva essa coisa, eu O visse? no rato? naquela janela? nas pedras do chão? Em mim é que Ele não estava mais. Em mim é que eu não O via mais.
Então a vingança dos fracos me ocorreu: ah, é assim? pois então não guardarei segredo, e vou contar. Sei que é ignóbil ter entrado na intimidade de Alguém, e depois contar os segredos, mas vou contar – não conte, só por carinho não conte, guarde para você mesma as vergonhas Dele – mas vou contar, sim, vou espalhar isso que me aconteceu, dessa vez não vai ficar por isso mesmo, vou contar o que Ele fez, vou estragar a Sua reputação.
. .mas quem sabe, foi porque o mundo também é rato, e eu tinha pensado que já estava pronta para o rato também. Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil.
É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. E é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria – e não o que é. É porque ainda não sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele. É também porque eu me ofendo à toa. É porque talvez eu precise que me digam com brutalidade, pois sou muito teimosa.
É porque sou muito possessiva e então me foi perguntado com alguma ironia se eu também queria o rato para mim. É porque só poderei ser mãe das coisas quando puder pegar um rato na mão. Sei que nunca poderei pegar num rato sem morrer de minha pior morte. Então, pois, que eu use o magnificat que entoa às cegas sobre o que não se sabe nem vê. E que eu use o formalismo que me afasta. Porque o formalismo não tem ferido a minha simplicidade, e sim o meu orgulho, pois é pelo orgulho de ter nascido que me sinto tão íntima do mundo, mas este mundo que eu ainda extraí de mim de um grito mudo. Porque o rato existe tanto quanto eu, e talvez nem eu nem o rato sejamos para ser vistos por nós mesmos, a distância nos iguala. Talvez eu tenha que aceitar antes de mais nada esta minha natureza que quer a morte de um rato.
Talvez eu me ache delicada demais apenas porque não cometi os meus crimes. Só porque contive os meus crimes, eu me acho de amor inocente. Talvez eu não possa olhar o rato enquanto não olhar sem lividez esta minha alma que é apenas contida. Talvez eu tenha que chamar de “mundo” esse meu modo de ser um pouco de tudo. Como posso amar a grandeza do mundo se não posso amar o tamanho de minha natureza? Enquanto eu imaginar que “Deus” é bom só porque eu sou ruim, não estarei amando a nada: será apenas o meu modo de me acusar. Eu, que sem nem ao menos ter me percorrido toda, já escolhi amar o meu contrário, e ao meu contrário quero chamar de Deus. Eu, que jamais me habituarei a mim, estava querendo que o mundo não me escandalizasse. Porque eu, que de mim só consegui foi me submeter a mim mesma, pois sou tão mais inexorável do que eu, eu estava querendo me compensar de mim mesma com uma terra menos violenta que eu. Porque enquanto eu amar a um Deus só porque não me quero, serei um dado marcado, e o jogo de minha vida maior não se fará. Enquanto eu inventar Deus, Ele não existe.


Clarice Lispector, no livro “Felicidade clandestina”. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

domingo, 10 de março de 2019

Aborto e dor


Aborto e dor


Segundo as estatísticas, uma em cada cinco gestações não evolui. Uma em cada cinco mulheres que engravidaram, estão sem seus filhos nos braços. Somos muitas, mas é considerado um tabu falar a respeito.

Assim que a mulher planeja engravidar, já nasce uma mãe e junto com ela surge uma imensa carga de expectativas.
A gravidez é um momento especial na vida de uma mulher, uma experiência única. Época de mudança e descoberta de emoções e comportamentos até ali desconhecidos. Novas identidades, novos significados existenciais, novos papéis, novas exigências e necessidades afetivas em relação aos outros, principalmente ao filho, a quem a mulher se sente ligada desde o inicio por uma relação de dependência mútuo e progressiva.
A interrupção da gravidez é uma perda muito séria e demanda, sim, um período de dor e de sofrimento.
Quando a gravidez é interrompida de forma inesperada, a dor é incalculável e solitária. Outras pessoas da família também sentirão a perda, mas ninguém sentirá a dor do mesmo jeito que a mulher. O sentimento de impotência e incapacidade são profundos e dolorosos.

É muito comum a mulher se perguntar o que ela fez de errado. Se foi por causa de algum esforço físico, por trabalhar muito, por não se alimentar tão bem ou até mesmo por um castigo divino. Procura encontrar motivos, mesmo que incoerentes, causando ainda mais sofrimento.

Luto

O aborto é um processo traumático ligado a perda de um objeto de amor. A perda de um filho que nunca chegou, nunca foi ou será carregado, nunca se ouvirá seu choro ou sentirá seu cheiro, gera inúmeros conflitos emocionais.
É importante que o tempo de luto aconteça e que ele seja respeitado, sem ser considerado um exagero. O ideal é que aconteça o processo de elaboração, onde a mulher irá se entristecer e sentir a perda.  É apenas entrando em contato com a dor que a mulher conseguirá dar lugar à saudade e, assim, prosseguir sua rotina e se permitir investir em outras atividades.
Não significa que a dor um dia irá acabar, a perda de um filho é uma dor insuportável e a reconstrução só se torna possível quando se tem a liberdade de expressar sua dor e de renascer a partir da experiência vivida. A mulher nunca mais será a mesma, mas pode se tornar alguém melhor e mais forte.
O amor não morre, o amor que se tem por aquele bebê, independente da fase da gestação que se encontrava, será eterno. Não é preciso tentar esquece-lo.
O processo de luto precisa ter início, meio e fim. Não existe um tempo determinado para acontecer, pois cada mulher irá lidar com isso de forma diferente, mas quando ele passa a influenciar de forma muito negativa e paralisadora, sem que haja mudanças na maneira de enfrentar a perda, acontece o luto patológico, necessitando de ajuda profissional. 
Fases do luto:
1. Negação - a mulher não aceita que teve um aborto e tenta se convencer de que era um sonho.
2. Raiva - ela passa a se questionar por que aconteceu. chora e grita na tentativa de eliminar esse sentimento ruim.
3. Barganha - é aquele momento de oferecer algo em troca de uma nova gestação. Há casais que fazem até promessas.
4. Depressão - a tristeza profunda aparece quando os futuros pais se dão conta de que a perda é real.
5. Aceitação - o casal entende que é preciso passar por aquilo e seguir em frente.

Como prestar apoio?
Mais do que deve ser dito, o importante é mostrar que a pessoa não está sozinha, que tem alguém que a compreende e está disponível.
Evitar dar conselhos impeditivos do luto como: "Foi melhor assim"; "Provavelmente não estava na hora"; "Vocês vão engravidar novamente"; "Muitos passam por isso"; "É normal acontecer, então não precisa sofrer"; "Olhem o lado bom, agora terão um anjo olhando por vocês", entre outros.
O aborto é uma profunda dor narcísica, mas não é irreparável. Com o devido suporte e tempo a mulher pode lidar melhor com o ocorrido. Porém, é crucial manter em mente que a pessoa não voltará a ser a mesma. Um processo de luto como esse traz uma infinidade de novas concepções e significados acerca da vida. Isso não significa que haverá prejuízo ou que será uma mudança negativa, apenas que as coisas serão vistas de outra maneira depois de passar por isso.